por Carlos Tautz, jornalista e membro do Instituto Mais Democracia
Disparada a maior empreiteira do País e empresa de construção civil com os dois negócios mais investigados pela Lava Jato – a construçãoda refinaria Abreu Lima (PE) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro–, a Odebrecht conseguiu, até agora, manter fora da cadeia todos os seus executivos.
Completarem-se em 15 de março quatro meses da prisão preventiva de dois ex-dirigentes da Petrobras, um lobista, um doleiro, além de 11 executivos da Camargo Corrêa, OAS, Engevix, Galvão Engenharia UTC/Constran e Mendes Júnior – a nata do cartel das empreiteiras. Mas, até agora não há no xilindró um representante da Odebrecht, a mais importante delas. Apesar da denúncia de que a empresa teria pago propina de mais de 30 milhões de dólares a um ex-diretor da Petrobras.
Cadê, então, a Odebrecht?
Ela foi a única do cartel da construção civil que não corrompeu ninguém em todas as barbaridades levantadas pela Lava Jato?
A ausência dos seus na cadeia se deve ao fato de ela ser historicamente uma das maiores doadoras de campanha e de estar no coração do espúrio sistema de financiamento de eleições?
Ou se pode explicar o fenômeno porque o conglomerado Odebrecht – que não pode ser chamado “apenas” de empreiteira, tendo negócios que vão da operação de rodovias à construção sem licitação do casco do submarino atômico em Itaguaí (RJ)- articular-se com o poder público em tantas áreas, até no exterior, que sua atuação nos projetos financiadas pelo BNDES em outros países são confundidas pela população local com a própria diplomacia brasileira?
Procuradores que já estiveram na Suíça à cata de provas agora precisam acompanhar na Justiça daquele país o estranho pedido feito pela Odebrecht, através de advogados locais, para que não sejam enviados ao Brasil documentos relativos a contas do conglomerado naquele paraíso fiscal europeu.
Por que não?
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Esta situação se agrava ainda mais agora que a vêm à tona os vazamentos das contas secretas que o HSBC mantinha em seu braço suíço para proteger dólares provenientes de tráfico de armas, de drogas e de desvio de dinheiro público em outros países.
Aliás… Teria uma coisa a ver com a outra?